Um distante berçário estelar abriga um conjunto de mundos recém-nascidos do tamanho de Júpiter, sendo que o menor deles está cercado por um disco de poeira que pode, no futuro, formar luas. A descoberta detalhada, possível graças à sensibilidade sem precedentes do Telescópio Espacial James Webb, pode oferecer novos insights sobre a formação de estrelas e planetas, relatam pesquisadores em um estudo aceito para publicação no Astronomical Journal.
As estrelas nascem a partir de grandes nuvens de gás e poeira quando porções desse material colapsam sob a ação da gravidade. O mesmo processo também pode criar objetos menores que não são estrelas, como planetas gigantes e anãs marrons, que não possuem pressão interna suficiente para fundir hidrogênio em hélio em seus interiores.
No novo aglomerado estelar NGC 1333, localizado a cerca de 1.000 anos-luz da Terra na constelação de Perseu, uma equipe de astrônomos encontrou centenas de objetos recém-formados semelhantes a estrelas, incluindo seis mundos jovens com massas entre cinco e 15 vezes a de Júpiter. O disco de poeira ao redor do menor desses mundos é semelhante aos discos que cercam estrelas pequenas e dão origem a sistemas planetários. Esse disco pode, no futuro, se transformar em um conjunto de luas em órbita, afirma Adam Langeveld, astrofísico da Universidade Johns Hopkins.
Sem exagero, é possível que ele e seus colegas tenham encontrado o objeto mais leve desse tipo a se formar com um disco, pelo menos nesse aglomerado específico. E, considerando os paralelos entre os processos de formação de estrelas e planetas, “estamos realmente investigando o limite do processo de formação estelar”, diz ele.
Pesquisas futuras utilizarão o JWST para analisar a composição química desses mundos recém-nascidos e do material ao redor, o que pode ajudar a explicar quais tipos de objetos podem se formar e em quais condições nesse ambiente.
Uma versão deste artigo foi publicada na edição de 5 de outubro de 2024 da revista Science News.
Adam Mann é jornalista freelancer especializado em espaço e física. Ele possui bacharelado em astrofísica pela Universidade da Califórnia, Berkeley, e mestrado em jornalismo científico pela Universidade da Califórnia, Santa Cruz.