Raios X de explosões nucleares podem proteger a Terra de asteroides
Um asteroide em rota de colisão com a Terra pode ser desviado sem que uma espaçonave precise sequer tocá-lo.
O truque seria usar raios X para desviar a rocha espacial, relatam pesquisadores em 23 de setembro na revista Nature Physics. Em experimentos de laboratório, cientistas aqueceram a superfície de asteroides artificiais em queda livre com radiação de raios X, produzindo jatos de vapor que empurraram os objetos para longe. Posteriormente, simulações em computador mostraram que raios X emitidos por uma explosão nuclear distante poderiam desviar vários asteroides com largura aproximada à altura do edifício do National Mall, em Washington, DC.
“Existe apenas um método proposto que tem energia suficiente para desviar os asteroides mais ameaçadores, os maiores asteroides — ou, em alguns casos, até mesmo asteroides menores quando o tempo de aviso é curto, talvez um ano ou menos”, afirma o físico Nathan Moore, dos Laboratórios Nacionais Sandia, em Albuquerque. “O consenso na comunidade de defesa planetária é que os raios X de um dispositivo nuclear seriam a única opção nesses cenários.”
Essas explosões ocorreriam, em teoria, a uma distância segura da Terra.
Há dois anos, a NASA lançou deliberadamente uma espaçonave contra o asteroide Dimorphos, alterando sua órbita ao redor de um asteroide maior. Foi um marco importante para a defesa planetária. No entanto, esse tipo de impacto só funciona se o asteroide for relativamente pequeno e houver tempo suficiente para modificar sua trajetória, explica Moore. Por isso, ele e seus colegas decidiram testar a alternativa baseada em raios X.
O experimento começou em uma câmara de vácuo que continha um modelo de asteroide do tamanho de uma pequena fruta, feito de quartzo — um mineral composto de sílica, um dos principais componentes de muitos asteroides. Utilizando o gerador de raios X mais potente do mundo, a equipe disparou um pulso de 6,6 nanossegundos na câmara. O pulso vaporizou os suportes laminares que sustentavam o quartzo, liberando o mineral em queda livre. Ao mesmo tempo, aqueceu e vaporizou sua superfície, gerando um jato de gás.
A expansão desse jato impulsionou o quartzo como se fosse a descarga de um foguete, explica Moore, empurrando o mineral para longe da fonte de raios X a aproximadamente 250 quilômetros por hora. Testes com sílica fundida produziram resultados semelhantes.
Para avaliar a viabilidade do método de defesa planetária, os resultados experimentais foram incorporados a simulações computacionais. Segundo a equipe, raios X provenientes de uma explosão nuclear realizada a vários quilômetros de distância poderiam desviar um asteroide de composição semelhante com até 4 quilômetros de diâmetro.
Os pesquisadores pretendem realizar experimentos semelhantes com ferro e outros componentes comuns de asteroides. “Os asteroides vêm em muitas variedades, compostos por diferentes tipos de minerais”, afirma Moore. “Este é apenas um ponto de partida.”
Fonte da imagem: www.sciencenews.org
