O primeiro asteroide troiano de Saturno finalmente foi descoberto
Astrônomos finalmente encontraram um asteroide que acompanha Saturno em sua órbita ao redor do Sol. Objetos desse tipo, chamados asteroides troianos, já eram conhecidos nos outros três planetas gigantes.
“Saturno era meio que o estranho no ninho, se posso dizer assim, porque, embora seja o segundo planeta mais massivo do Sistema Solar, não tinha nenhum troiano”, afirma Paul Wiegert, astrônomo da Universidade de Western Ontario, em Londres, no Canadá. Assim como Saturno, o novo asteroide leva cerca de 30 anos para completar uma órbita, mas está posicionado 60 graus à frente do planeta ao longo de sua trajetória, relatam Wiegert e colegas em estudo submetido em 29 de setembro ao arXiv.org.
A maioria dos asteroides do Sistema Solar orbita o Sol entre as órbitas de Marte e Júpiter. No entanto, em 1906, o astrônomo alemão Max Wolf descobriu o primeiro troiano, chamado Aquiles, orbitando o Sol 60 graus à frente de Júpiter. Desde então, milhares de outros asteroides troianos foram identificados — alguns 60 graus à frente de Júpiter, outros 60 graus atrás. A espaçonave Lucy, da NASA, visitará oito deles entre 2027 e 2033.
Asteroides troianos também existem para Urano e Netuno, e até para a Terra e Marte.
Após uma imagem captada por um telescópio no Havaí registrar o novo asteroide em 2019, o astrônomo amador australiano Andrew Walker sugeriu que o objeto poderia ser um troiano de Saturno — caso tivesse a órbita correta ao redor do Sol.
“A chave para determinar uma boa órbita de um objeto no Sistema Solar é ter muitas observações feitas por diferentes telescópios ao longo de um período extenso”, explica Wiegert. Assim, o astrônomo Man-To Hui, da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, na China, procurou imagens anteriores do asteroide e organizou novas observações. Medições da posição do objeto — realizadas entre 2015 e 2024 — confirmaram sua natureza troiana. Batizado de 2019 UO14, o asteroide tem cerca de 13 quilômetros de diâmetro, aproximadamente o mesmo tamanho de Deimos, a menor das duas luas de Marte.
Os cientistas já previam a existência de troianos de Saturno, afirma o astrônomo Carlos de la Fuente Marcos, da Universidade Complutense de Madri, que não participou da descoberta. No entanto, as órbitas desses troianos são instáveis, pois Saturno está cercado por planetas gigantes de ambos os lados.
“Júpiter parece ser o principal responsável”, diz de la Fuente Marcos. A enorme gravidade de Júpiter puxa gradualmente um troiano de Saturno, tornando sua órbita ao redor do Sol cada vez mais elíptica. O asteroide então pode se aproximar tanto de Júpiter ou Urano que um desses planetas gigantes acaba desviando-o de sua órbita troiana.
De fato, os pesquisadores estimam que o asteroide seja troiano de Saturno há apenas cerca de 2 mil anos e continuará nessa configuração por apenas mais mil anos. Antes de sua ligação com o planeta dos anéis, provavelmente era um centauro — tipo de asteroide que orbita o Sol entre as órbitas dos planetas gigantes.
O objeto pode não ser o único troiano de Saturno. “Tenho quase certeza de que existem outros — talvez apenas alguns, mas este não pode ser o único”, afirma Wiegert.
Fonte da imagem: www.sciencenews.org
